Foi apenas um acidente mostra dois extremos da vida: memória e desejo de vingança 

Foi apenas um acidente

Título original: Un Simple Accident

Direção: Jafar Panahi

Duração: 102 min/2025 14+

Gênero:Drama

Elenco: Mariam Afshari, Ebrahim Azizi, Hadis Pakbaten

País de Origem: Irã/Luxemburgo

It Was Just an Accident (ek tasadef sadeh), de Jafar Panahi, filme vencedor da Palma de Ouro.

“Um trailer sobre a incerteza da verdade  e a escolha entre a vingança e misericórdia” 

(The New Yorker)

Vencedor da Palma de Ouro no 78º Festival de Cannes, Foi Apenas um Acidente marca uma mudança sutil na filmografia de Panahi, afastando-se de sua recente abordagem semidocumental, contudo, mantendo seu humanismo característico, clareza política e perspicaz questionamento moral. 

Foi apenas um acidente mostra um sequestro com uma sensibilidade que acompanha a vida de ex-prisioneiros políticos e a vingança

Mohamad Ali Elyasmehr, Majid Panahi e Hadis Pakbaten em cena de ‘Foi apenas um acidente’ Foto: Divulgação

Do filme

O filme começa com Vahid, que ganhou o apelido de Jughead, devido à forma que seu corpo assume. Isso porque Vahid sofreu uma ruptura renal por maus-tratos, em razão do seu encarceramento que ocorreu a décadas, quando era prisioneiro do regime iraniano. 

Atualmente, Vahid leva uma vida normal, trabalhando em uma oficina mecânica, até que um dia um homem (Eghbal, interpretado por Ebrahim Azizi) surge com um carro avariado.

Tal homem se parece, se move e soa suspeitosamente como o torturador de Vhaid. 

Vahid não perde tempo, segue Eghbal até sua casa, o sequestra, e o amarra na traseira de sua van e dirige até o deserto para enterrá-lo vivo.

O filme é construído em torno de um acidente de trânsito, contudo, o acidente que até então se parece trivial, se transforma em um profundo dilema ético.

O trailer explora o trauma, a memória, a vingança e os efeitos persistentes da violência estatal no cotidiano do Irã contemporâneo.

A história gira em torno de Vahid (Vahid Mobasseri), um homem aparentemente tranquilo da classe trabalhadora que inesperadamente encontra Eghbal (Ebrahim Azizi), apelidado de Perna de Pau, um ex-inspetor do regime e guarda prisional infame por sua crueldade. 

Já no início do filme, o diretor, Panahi, apresenta ao espectador Eghbal e sua família; esposa e filha pequena. Do homem violento que foi, hoje, ele tem apenas resquícios.

Eghbal foi um veterano de guerra e perdeu uma perna na Síria, agora usa uma prótese, além de carregar cicatrizes físicas e morais. 

Este estudo inicial do personagem prepara o terreno para o que se segue: a decisão impulsiva de Vahid de capturar Eghbal, seu antigo torturador.

A parte central do filme reúne um grupo de vítimas: Shiva (Mariam Afshari), uma fotógrafa perspicaz e sensata; Golrokh (Hadis Pakbaten) e seu futuro marido (Majid Panahi); e Hamid (Mohamad Ali Elyasmehr); personagem cético, portanto, instável que personifica o dilema:o que fazer com Eghbal?

Do plano-sequência

Embora o filme comece devagar, a tensão aumenta gradativamente até um impasse moralmente complexo. Outra coisa: grande parte do ato final, filmado em um impressionante plano-sequência, é uma obra-prima. 

À medida que as tensões crescem no trailer, a ponto de ser mesmo uma “explosão”, o diretor, Panahi, transforma o filme de uma narrativa, cujo ponto fulcral é a vingança em que submerge uma reflexão mais ampla sobre poder, violência e os efeitos corrosivos da repressão. 

Para alguns, pode parecer que o filme se trata de um confronto entre opressor e oprimido, no entanto, o que se revela são aspectos mais profundos e universais.

O elenco oferece atuações excepcionais, com Mobasseri, Afshari e Elyasmehr, em particular, ancorando a carga emocional com uma intensidade crua.

Do diretor Jafar Panahi

“Uma das figuras mais marcantes e corajosas do mundo do cinema” 

(The Guardian)

Em Foi Apenas um Acidente, Panahi reafirma seu lugar como um dos melhores cineastas da atualidade. 

Isso porque o seu trabalho mais recente não é apenas politicamente forte, é também inovador e muito humano, ou seja, é uma narrativa que envolve o espectador, bem como mostra um desenvolvimento, inicialmente, lento, contudo, com um final inesperado. 

O trailer é bastante atual, contudo, segundo a crítica especializada, tem tudo para se tornar atemporal e  profundamente enraizado nas realidades sociais e políticas do Irã.

A câmera de Jafar Panahi desempenha este papel. O diretor consegue transmitir um panorama  social e político do Irã.

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