Me ame com ternura
Duração: 134 minutos/ 2026 14+
Gênero: Drama
Direção: Anna Cazenave Cambet
Elenco: Vicky Krieps, Antoine Reinartz, Monia Chokri
Título original: Love Me Tender
País de origem:

O segundo longa-metragem de Anna Cazenave Cambet é uma adaptação do romance autobiográfico de Constance Debré.
Me ame com ternura trata da descoberta de si mesma na meia-idade de uma mãe divorciada. Isso pode pôr em risco seu relacionamento com seu filho.
Clémence (Vicky Krieps), esposa, mãe e advogada de uma família proeminente, abandona o emprego e o casamento para encontrar sua verdadeira identidade.
A mulher se dedica à carreira de escritora e embarca em uma série de relacionamentos casuais com outras mulheres.
Contudo, seu marido, Laurent (Antoine Reinartz), vê sua inclinação sexual e a sua rejeição à instituição burguesa do casamento como uma declaração de guerra.

Fonte: Divulgação
Esse é o estopim que faz com que Laurent trave o acesso da mãe ao filho deles, Paul (Viggo Ferreira-Redier).
Embora a duração e o ritmo deste extenso drama parisiense pudessem ser mais concisos, a atuação intensa e precisa de Krieps impulsiona o filme e prende a atenção do espectador.
Outro fator importante é quanto à falta de conexões emocionais que dificultam o envolvimento emocional entre os atores.
Este é o segundo longa-metragem da roteirista e diretora Anna Cazenave Cambet, após sua estreia em 2020 com Gold For Dogs .
A diretora também fez sucesso com seu curta-metragem de 2016, Gabber Lover, vencedor da Palma Queer de melhor curta-metragem em Cannes.
Ama-me com ternura é uma adaptação do romance autobiográfico de Constance Debré.
A voz do narrador está presente ao longo de todo o filme, de maneira que trechos de seus escritos são narrados por Krieps com uma voz rouca.
Está aí o ponto que torna o filme muito mais complexo, desconfortável e inesperado do que o drama familiar sobre a guarda dos filhos que inicialmente parece ser.
Clémence está em conflito com seu marido, ao mesmo tempo em que se depara com as estruturas burocráticas das organizações de pensão alimentícia e dos tribunais de família.
Por outro lado, a protagonista luta consigo mesma e com a inclinação de rejeitar a maternidade.
Na verdade, existe um ponto delicado mesmo em sociedades supostamente esclarecidas: trata-se da identidade de uma mãe que deve sobrepor a todas as outras identidades.
Não só isso: a mulher que não se dispõe a sacrificar sua vida pelo amor ao seu filho é considerada antinatural.
O longa mira no âmago dessa ideologia, e graças à atuação de Vicky Krieps acerta em cheio com o confronto.
O filme se divide em dois: uma parte com a protagonista que segue sua vida profissional, pessoal e amorosa, enquanto a outra se dedica quase que integralmente à luta contra um emaranhado jurídico para ter seus direitos maternos restaurados.
Ainda que todos os envolvidos entendam que ela é inocente, o tortuoso processo se arrasta a tal ponto que ela fica 18 meses sem ver seu filho, Paul, ou, como ela diz em uma narração (trecho esparso, porém eloquente, da obra autoficcional que Clémence está escrevendo): “dois dos seus aniversários e um dele”. Mesmo assim, ela fica restrita a breves encontros sob a supervisão de uma assistente social (Aurélia Petit).
A protagonista pergunta: “Posso segurá-lo no meu colo?”, ela implora, e o abraço que se segue é um alívio doloroso, mas está longe de ser o fim da história.
Com mais de duas horas de duração, Me ame com ternura fica longo demais, especialmente quando o relacionamento de Clémence com a jornalista Sarah (Monia Chokri) se torna mais sério.
A atriz Chokri está um pouco deslocada no papel, e o relacionamento delas não convence.
As disputas de guarda que envolvem mães em tribunais de família é tão frequente agora como sempre foi.
Me ame com ternura mostra apenas uma adição a uma tendência que pode se tornar natural.
Contudo, a decisão se mostra simples não só pela atuação de Krieps, mas também pelo seu final triste, porém comovente: Clémence toma uma decisão difícil, mas que talvez possa um dia não ser tão difícil assim.
