Nome Original: Rental Family
Direção: Hikari
Roteiro: Stephen Blahut
Duração: 110 min/2025 12+
Gênero: Drama
Distribuidor: Disney
Países de Origem:


O inesquecível Brendan Fraser (A Múmia, 1999) e (A Baleia, 2022, que lhe deu o Oscar de Melhor Ator em 2023), brilha como uma alma perdida em busca de conexão neste drama ambientado em Tóquio.
Quando você pensa que a cultura japonesa não poderia ser mais estranha e exótica, surge mais um filme que nos lembra que os “problemas” têm uma gravidade diferente por lá, e que as soluções para eles podem ser também exóticas e geniais.
É o que acontece com Família de Aluguel. Um filme que apresenta muita sensibilidade sobre os limites de “serviços” em uma cultura onde o decoro, a preservação da imagem, a proteção dos sentimentos, os pedidos de desculpas e a vergonha são valorizados por seu verdadeiro propósito.
Philip (Brendan Fraser) tem de atuar para criar conexões com estranhos, interpretando papéis que ora entretém, ora lisonjeia, ora satisfaz desejos de alguma forma.
Vivendo em Tóquio e procurando por conexão humana, Philip é um ator americano em busca de reconhecimento.

Fonte: Divulgação
Após uma série de audições, ele encontra sua vocação quando Shinji Tada (Takehiro Hira), dono de uma pequena empresa de RPG chamada Rental Family, o contrata para interpretar o único ator branco nas diversas situações da vida real que seus clientes solitários precisam vivenciar.
Em um papel que exige muito menos artifício do que sua atuação transformadora e premiada com o Oscar em A Baleia, Fraser dá um rosto à melancolia em um filme peculiar e cativante que agrada ao público.
O filme é ainda mais fortalecido pela perspicácia visual da diretora Hikari.
Embora a cineasta tenha alcançado aclamação do público ao dirigir episódios da série Beef, da Netflix, tematicamente Família de aluguel se assemelha mais ao seu filme de estreia de 2019, 37 Seconds (vencedor do prêmio do público no Panorama de Berlim), ao abordar temas relevantes como isolamento, trabalho sexual e comunidades escolhidas.
Phillip interpreta uma infinidade de papéis; ele trabalha como marido de alguém, amigo de outra pessoa e jornalista.
Há também alguns clientes que sabem que estão pagando um ator, outros não, porque seus próprios familiares o contrataram.
Isso se torna especialmente problemático quando uma mãe solteira pede a Phillip que finja ser o pai há muito perdido de sua adorável filha, Miya.
Phillip percebe que essa é uma péssima ideia, mas se entrega ao papel.
Assim como em seus outros papéis em Família de Aluguel, o solitário Phillip começa a desenvolver uma conexão genuína com Miya, a garotinha, pois ele também é muito bom em fingir ser pai. Este é um elemento da história enriquecido de maneiras pequenas, porém significativas, por sua própria trajetória.
No fim das contas, o inesperado, que talvez possa ser esperado no filme, mostra que o fingir em se importar com o outro segue por caminhos previsíveis, quando Phillip não consegue evitar e passa a se dedicar demais ao seu trabalho.
O protagonista realmente passa a se importar com seus clientes e quer ajudá-los depois de perceber o lado humano de cada um, bem como todas as falhas inerentes ao ser humano.
Isso leva ao que o público já imaginava. Mas, cada momento e cada reviravolta na trama parecem completamente genuínos.
E se tudo faz sentido, então a história nunca soa banal.
O longa é uma história sentimental e tocante, sem ser piegas.
É também previsível e reconfortante, sem ser entediante.
Contudo, o mais importante é: se tratar de um filme pequeno, belo e tranquilo, repleto de grandes ideias.
É uma história humana sobre solidão, conexão com os outros, e o que cada um de nós deseja e precisa do outro.
